
Era um dormindo de noite fria misturada com o calor humano, adorava freqüentar aquele bar, algo para sair da rotina que com o tempo virou minha rotina, gostava das musicas desconhecidas que tocavam ao fundo junto das conversas paralelas das pessoas, eu apreciava ficar na ultima mesa fitando as pessoas e seus “romances” bebia do mesmo vinho e relaxava do dia cheio que costumava ter, trabalhar em uma agencia de viagens não era nada fácil. Nunca fui uma pessoa imprevisível as pessoas já sabiam bastante de mim, pois nunca mudei sempre continue a mesma pessoa, seria, fria, ignorante e de poucos amigos.
Nessa noite quando estava bebendo os últimos goles do meu vinho, pensando em se levantar e ir para casa, me dei conta de que alguém havia se sentado do meu lado, era uma mulher de cabelos ate os ombros, de lábios finos, não pude reparar tanto, a escuridão do lugar me impedia de ver algo alem disso, ela sorriu me dizendo algumas palavras nas quais não escutei, apenas sorri e voltei a beber meu vinho. Ela permaneceu do meu lado, uma vez me olhando e outra procurando o que falar. Quando me levantei senti uma mão suave tocar meu paletó, a fitei novamente esperando uma resposta, ela sorrio, dessa vez falando um pouco mais alto para eu ouvir.
-Fique mais um pouco.
Ela tinha uma voz suave, gostosa de ouvir, então sorri e me sentei novamente, dessa vez olhando para ela, procurando ver se a conhecia, mais não tive muito sucesso, me esqueço das pessoas, acho que por isso não tenho tantos amigos. As horas foram passando e nenhuma palavra era dita a não serem os olhares que se cruzavam durante as musicas e os zumbidos das pessoas falando ao fundo, pedi mais um vinho e perguntei se ela também queria, ela fez que sim e continuou a me olhar, confesso que fiquei constrangida com o olhar dela então iniciei uma pergunta
-Como é seu nome.?
-Alice, e o seu.? Perguntou ela com sua voz suave.
-Sabrina, lindo nome o seu. Deixei o sorriso invadir meu rosto levando meu olhar para outros lugares.
Nossas bebidas haviam chegado e nossas conversas tinham sumido se é que tivemos um dialogo digno de uma conversa, apenas nos olhávamos e bebíamos o vinho que estava sobre a mesa, ao acabar a musica, notei que havia se levantado e se dirigia para mais perto de mim, me olhou com um olhar devorador deixando em mim um leve beijo perto da boca, eu não sabia o que fazer ou se devia fazer alguma coisa, ela passou uma de suas mãos sobre meu rosto dizendo por final tchau.
Quem era ela.? O que ela queria.? E o que fez comigo.?
Depois disso notei que tive medo de seguir em frente e ver no que poderia acontecer, medo de me entregar e me machucar, medo de me perder e não poder voltar, ela se foi e deixou perguntas, mais apenas uma resposta, na qual eu mesma sei responder.
“Somos seres humanos, somos fracos e temos medo de fazer aquilo que temos vontade”

