sábado, 27 de fevereiro de 2010

Meu sonho.


Ela sempre estava lá quando eu acordava do sono mais profundo e turbulento, sentada na cadeira que ficava próxima a janela do quarto, ela sempre estava com a calmaria estampada em sua face acompanhada de um sorriso largo.

Dessa vez dava para admirar as curvas de seu pescoço, pois seus cabelos estavam presos com apenas algumas mexas soltas.

Eu a fitava da cama com os olhos entre abertos junto de um sorriso tímido e demorado, e ela sempre me olhava com um olhar devorador, isso sempre me impossibilitava de iniciar uma atitude.

Seus lábios avermelhados e sua pele branca junto de seu cabelo preto davam cor ao vestido branco que naquele dia estava usando, ela se aproximava e fincava seus dedos entre meus cabelos fazendo um carinho inconfundível, e eu ficava apenas a admirar tamanha beleza, ela deslizava suas mãos pelos meus braços e beijava minha face com seus lábios macios e únicos, me seduzia e dominava e me fazia cair na sua rede de amor. E eu a amava de um jeito único pelo resto do dia, ela se colocava a deita do meu lado me fazendo cair novamente num sono tranqüilo me possibilitando de sentir ainda seus carinhos e o cheiro do seu perfume adocicado, e quando acordava daquele sono acolhedor a procurava por cada canto daquele quarto, mais sabia como ninguém que seria em vão procurar, pois ela já não estava lá, eu me punha a sentar na cama e relembrar incríveis detalhes de uma tarde nunca vivida.


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O senhor.

Todos os dias o senhor de cabelos brancos, olhos claros e de pele enrugada se sentava em uma mesa de madeira junto de um banco gasto pelo tempo, tomava seu café e lia seu jornal, sempre se sentava de pernas cruzadas deixado os cotovelos se apoiarem nas coxas facilitando assim sua leitura, aquilo o fazia ficar ali ate o sol desaparecer por completo, seu óculos arredondado caído sobre seu nariz lhe dava uma expressão de maturidade junto da calmaria que folheava seu jornal e tomava seu café.

Durante dias ele se sentava no mesmo lugar na mesma posição e com a mesma expressão facial, lia as noticias do jornal e tomava seu café, era incontrolável tamanha excitação por saber que diabos aquele senhor fazia ali todos os dias.

Dava para ouvir de longe as gargalhadas que o tal senhor dava ao ler as charges que havia nas ultimas paginas do seu jornal, após as gargalhadas ele terminava seu café e dobrava seu jornal calmamente o colocando debaixo do seu braço direito deixando tempo para admirar o sol que sumia ao longe de seus olhos, ao termina o “espetáculo” de ver o sol sumir, ele se levantava arrumava as calças e ia embora para que no outro dia pudesse voltar e fazer as “mesmas coisas”.

Certo dia notei que seu café não estava fazendo parte daquela tarde graciosa, e o jornal ainda estava dobrado sobre a mesa junto de seus óculos, sua expressão ainda continuava calma mais com um ar de perturbação, o senhor ficou tempos sentado no banco de cabeça baixa apoiando os cotovelos sobre a mesa, depois de algumas horas o senhor se levantou pegou os óculos e deixou seu jornal permanecer sobre a mesa, sorriu ao notar que o sol já estava sumindo e por fim foi embora.

Ele não voltara desde então. Após alguns meses me sentei na cadeira junto da mesa e fiquei ali ate ver o sol sumir.



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Amizades

Geralmente começa com uma conversa sem rumo e desnecessária com alguns olhares rápidos e sorrisos curtos. O assunto não acaba nunca pelo fato de estarem se conhecendo, coisas em comum, algumas fofocas engraçadas, gostos diferentes, mais que querendo ou não se completam.

Isso continua com um pouco de liberdade acompanhada de algumas brincadeiras, e assim vai indo ate chegar o dia do primeiro telefonema apos o telefonema chega o dia de chamar seu amigo (a) para ir à sua casa seja para jogar uma partida de vídeo game ou ate mesmo para ajudar com a escolha de uma roupa.

Depois de algumas vindas em casa surge o abraço espontâneo acompanhado de carinho e olhar sincero. Fotos para se lembrar dos momentos em que passaram juntos, ou apenas para fazer uma homenagem a colocando no Orkut e escrevendo um dos seus melhores textos sobre amizade.

Então a amizade vai ficando forte e segura e acaba aprendendo o que é confiança, liberdade, carinho, e cartinhas, baladas, festas ou ate mesmo saídas sem rumo algum, acaba se tornando especiais pelo simples fato de estar perto do seu amigo (a).

Seu amigo (a) aprende e ensina você trazendo então o amadurecimento, então os momentos tristes, tediosos e felizes se tornam um só estando sempre ao lado de quem é chamado de amigo (a), brigas por ciúmes ou qualquer outra coisa boba acaba fazendo você conhecer o sentimento de desculpas e o conhecimento da palavra erro.

Fazem planos para o futuro e até pensam em morar juntos só para fazerem festas de segunda a segunda, pensam em um dia envelhecer e sentar em uma cadeira de balanço e ficarem se lembrando de tudo que já fizeram, ou então jogar uma partida de xadrez tomando um café conversando sobre os problemas de trabalhos ou relacionamentos inacabados.

E por ai vai, não teria graça escrever tudo sendo que o melhor é viver todos esses sentimentos.

É bom ter amigo, então cultive os que estão perto de você e ao mesmo tempo os deixe livres para terem escolhas e opiniões. E desfrute da família que pode escolher.



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Cada noite.

Peguei as roupas que se encontrava no chão do quarto e as vesti depressa, observando o lugar escuro e sujo que ali me encontrava.

O rapaz deitado na cama sem roupa estava apenas coberto por um lençol ralo de cor branca amarelada pelo tempo.

Sua expressão era diferente de todas que já vi, estava satisfeito de prazer e encabulado com algo que não era de meu interesse.

Enfim, peguei o dinheiro que havia deixado a mesa ao lado da cama o coloquei no bolso, sem deixar se quer escapar algum barulho, impedindo de acordar o rapaz que naquela noite havia pedido meus serviços. Com um pouco de cautela consegui sair do quarto sem que ele ou alguém me visse.

Andando pelas ruas senti que algo de mim havia permanecido naquele quarto meia boca no qual fiz meus serviços, o cheiro do corpo suado do rapaz ainda permanecia em mim, os carinhos bruscos estavam ainda massageando minha face desgastada pelo tempo.

De volta para meu local de trabalho, fico por esperar mais um rapaz que me faça enganar sentimentos, fazendo com que eu ache que será para sempre, mesmo tendo a certeza de que serão apenas algumas horas, e com toda a certeza de que aquilo não passara de prazer barato pago pelos humanos.