terça-feira, 21 de maio de 2013

Rapaz




Sentei-me sobre a escadaria do terminal de trem, estava por esperar alguma motivação, vontade ou até mesmo forças, seja lá o que fosse, era somente para voltar para casa.
Vistei diante de mim a poucos metros de distancia um rapaz bonito de cabelos finos e bagunçados, tinha um lábio fino e rosado, junto de dentes brancos e pequenos, suas calças estavam surradas, mas davam o charme preciso para o rapaz desconhecido. 
Dei-me por observa-lo.
Seus olhos procuravam alguma direção, pareciam estar procurando algo ou alguém, mas de fato não se sabia o que era, se sabia que estava por procurar, mas o que era? De fato não se sabia.
Sua expressão era confusa demais para entender o que se passava com ele, mal sabia se estava sob efeito de alguma droga, não se sabia muitas coisas, para ser sincera, não se sabia de nada.!
Seus olhos eram lúcidos, mas seu comportamento era de louco ou de alguém em desespero. Podia se dizer que era um desespero avassalador, porem bonito de se observar.
Meus olhos não paravam de fita-lo, não tirei os olhos dele em momento algum e com cautela, cuidei de cada movimento, cada expressão e cada desespero feito pelo rapaz.
Em segundos pude notar sua loucura misturada com sua lucidez. Entreabriu a boca, apoiando os cotovelos sobre os joelhos magros e sem formato algum. Seus olhos eram rápidos demais e passeavam depressa por todos os cantos da cidade, inclusive por ele mesmo. Oras procurava algo ao seu redor, oras procurava em si mesmo algo invisível, mas logo depois se perdia em meio a tanta confusão.
Entre tantas pessoas o rapaz sumiu feito fumaça e minha inspiração e criatividade se foi como ar de furacão.

(Samanta Souza e Silva S.S.S)

domingo, 5 de maio de 2013

É tudo, todo o emaranhado, cheio e muito bagunçado







É tudo, todo o emaranhado, cheio e muito bagunçado.
Meu guarda-roupa está pelos avessos, não consigo encontrar nada e tem tantas coisas para arrumar.
 Sinto que minha vida não está tão diferente dele, me lembro de que a frase e o lema eram "manter o guarda-roupa em ordem, pois ele é reflexo da sua vida, se o mantiver arrumado, nunca perderá suas coisas". Preciso arruma-las, coloca-las no lugar. 
As gavetas da paciência estão cheias, posso achar de tudo lá dentro, menos a tal da paciência, parece que se perderam em meio a tantas coisas, me falta paciência para arruma-las.
As portas do respeito estão tão cheias que mal consigo abri-las, muitas coisas estão atrapalhando sua movimentação.
As prateleiras estão cheias de pó, não consigo encontrar meu horizonte, está tudo ficando fosco e não estou enxergando nada alem do pó.
Meus tênis estão sem cadarços, sem palmilhas e mal sei se ainda tem pares. Estou para dar uma olhada neles, mas me falta vontade.
Estou me cansando de procurar e não encontrar mais nada. Pergunto-me onde é que estão minhas coisas e onde foi que enfiei todas elas.
Esse meu tempo está me tomando, me tornando um nada e deixando com que eu perca o controle. Eu não quero perder o controle, pelo menos nunca quis.
Preciso abotoar minhas camisas, alguns botões estão perdidos por ai, e ainda não tive tempo e nem paciência de encontra-los e coloca-los no lugar.
Calma, preciso achar minha calma, mas também não sei onde foi que as coloquei, creio que tenha sido em algum lugar por aqui, mas ainda não me lembro onde.
Vamos.! Preciso arrumar e por fim colocar tudo no lugar.

                                                                                    Samanta Souza e Silva (S.S.S)