Ele surgia dos becos de qualquer esquina vazia, sua calça jeans rasgada no joelho, sua camisa regata preta desbotada junto de um tênis velho preto, na sua mão direita havia um cigarro da pior marca e na outra um vinho de safra ruim.
Ele se sentava do meu lado com um sorriso encantador, falava sobre bandas, filhos e um futuro incerto sobre nós, a gente ria sempre quando ele dizia “nosso filho vai tocar guitarra e fazer um dos melhores solos” após as gargalhadas surgia um olhar sincero apenas praquele momento, eu ficava por fitar cada gole que ele dava no vinho e observava seus lábios ficarem úmidos, ele contava suas inúmeras historias de aventura deixando a fumaça do cigarro sair uma vez pelo boca e outra pela nariz.
Seus olhos.! Me lembro bem de seus olhos, uma cor inexplicável, uma mistura de verde com azul ou algo desse tipo.
Sempre ao ir embora ele me deixava com um beijo molhado na testa seguido de olhares, o cheiro do cigarro e o gosto do vinho ficavam presos em mim, e por fim o deixava sumir por mais um beco de esquina.
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