“Belas borboletas precisam voar para novos jardins”
Esta frase estava em uma pequena parte do jornal, no quanto esquerdo quase imperceptível, seu único destaque eram as letras em negrito.
Esta frase me fez recordar das quintas férias, ela sempre vinha às quintas férias de tarde, batia três ou quatro vezes na minha porta e ficava por me esperar. Seu sorriso era daqueles largos que não tinham pressa de se desfazer, ela sempre entrava pela sala, desfilava pelo corredor e seguia em direção ao meu sofá, se punha ao lado dele a espera da minha permissão para se sentar, quando se sentava juntava suas pernas e repousava suas mãos sobre as mesmas, seu olhar passeava pela casa ate se focarem em mim, após isso ela dava um começo de prosa calma. Eu sempre lhe sorria e ficava por fitar seus pequenos detalhes espalhados pela sua face, era incrível vê-la falando de sua rotina, seus medos, suas cismas ou ate mesmo seus amores platônicos. Ela gesticulava suas mãos dando mais ênfase no assunto o tornando mais profundo e produtivo, seus lábios se moviam rapidamente deixando sair dele palavras difíceis e bonitas junto de seus olhos que me fitavam e procuravam uma nova direção para se fixar.
Era adorável passar minhas tardes de quintas férias ao lado daquela mulher, ao lado do meu antigo amor, mais ela era uma bela borboleta e belas borboletas precisam voar por novos jardins e não ficarem presas sendo admiradas por uma pessoa só.
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