sábado, 5 de março de 2011

Rafaela.

Seus olhos estavam parados, já sem vida alguma, olhando para lugar nenhum, olhando para o vazio do nada, seus labios moles e entreabertos saiam sangue quente, do qual deixei cair sobre meus braços, seus braços estavam soltos e já sem nenhum movimento, junto de sua respiração que estava acabando do mesmo modo como que seu coração já não tinha nenhum batimento.
Lá estava, lá estava a mulher de minha vida, desmaiada em meus braços estava exatamente a mulher de meus olhos, mulher que eu mesmo tirei a vida, pois o seu amor não era o que me pertencia, pois o seu amor era algo que eu mais queria.
Desfalecida em meus braços pude sentir o verdadeiro peso de seu corpo, pude notar o quão era branco o seu rosto e o tamanho que tinha os seus olhos, só que nada pude fazer a não ser olhar o corpo de minha menina desfalecido em meus braços ensanguentados com a faca que havia apunhalado em seu peito esquerdo. Sua face estava serena, como se aquele momento fosse apenas de paz, uma paz da qual não sabia onde encontrar, mal saberia se iria mesmo encontrar.
Multidões se juntou ao meu redor, todas em um silencio barulhento de comentarios futeis e desagradaveis, sirenes e policias estavam por chegar e meus braços não queriam solta-lá, pois aquele seria o nosso ultimo momento, o meu ultimo momento ao lado da mulher de minha vida.

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