Todos os dias o senhor de cabelos brancos, olhos claros e de pele enrugada se sentava em uma mesa de madeira junto de um banco gasto pelo tempo, tomava seu café e lia seu jornal, sempre se sentava de pernas cruzadas deixado os cotovelos se apoiarem nas coxas facilitando assim sua leitura, aquilo o fazia ficar ali ate o sol desaparecer por completo, seu óculos arredondado caído sobre seu nariz lhe dava uma expressão de maturidade junto da calmaria que folheava seu jornal e tomava seu café.
Durante dias ele se sentava no mesmo lugar na mesma posição e com a mesma expressão facial, lia as noticias do jornal e tomava seu café, era incontrolável tamanha excitação por saber que diabos aquele senhor fazia ali todos os dias.
Dava para ouvir de longe as gargalhadas que o tal senhor dava ao ler as charges que havia nas ultimas paginas do seu jornal, após as gargalhadas ele terminava seu café e dobrava seu jornal calmamente o colocando debaixo do seu braço direito deixando tempo para admirar o sol que sumia ao longe de seus olhos, ao termina o “espetáculo” de ver o sol sumir, ele se levantava arrumava as calças e ia embora para que no outro dia pudesse voltar e fazer as “mesmas coisas”.
Certo dia notei que seu café não estava fazendo parte daquela tarde graciosa, e o jornal ainda estava dobrado sobre a mesa junto de seus óculos, sua expressão ainda continuava calma mais com um ar de perturbação, o senhor ficou tempos sentado no banco de cabeça baixa apoiando os cotovelos sobre a mesa, depois de algumas horas o senhor se levantou pegou os óculos e deixou seu jornal permanecer sobre a mesa, sorriu ao notar que o sol já estava sumindo e por fim foi embora.
Ele não voltara desde então. Após alguns meses me sentei na cadeira junto da mesa e fiquei ali ate ver o sol sumir.
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