quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Cada noite.

Peguei as roupas que se encontrava no chão do quarto e as vesti depressa, observando o lugar escuro e sujo que ali me encontrava.

O rapaz deitado na cama sem roupa estava apenas coberto por um lençol ralo de cor branca amarelada pelo tempo.

Sua expressão era diferente de todas que já vi, estava satisfeito de prazer e encabulado com algo que não era de meu interesse.

Enfim, peguei o dinheiro que havia deixado a mesa ao lado da cama o coloquei no bolso, sem deixar se quer escapar algum barulho, impedindo de acordar o rapaz que naquela noite havia pedido meus serviços. Com um pouco de cautela consegui sair do quarto sem que ele ou alguém me visse.

Andando pelas ruas senti que algo de mim havia permanecido naquele quarto meia boca no qual fiz meus serviços, o cheiro do corpo suado do rapaz ainda permanecia em mim, os carinhos bruscos estavam ainda massageando minha face desgastada pelo tempo.

De volta para meu local de trabalho, fico por esperar mais um rapaz que me faça enganar sentimentos, fazendo com que eu ache que será para sempre, mesmo tendo a certeza de que serão apenas algumas horas, e com toda a certeza de que aquilo não passara de prazer barato pago pelos humanos.



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