
Deu para ouvir apenas a batida da porta, e lá estava ela, na minha frente me fitando com seus olhares serenos, nesta noite ela estava usando um casaco preto me impossibilitando de ver o resto de suas roupas, seu batom vermelho realçava seus lábios finos bem definidos, me encontrei em êxtase profundo onde me perdia nas curvas de seu corpo.
-O que faz por aqui há essa hora.? Perguntei tentando não transparecer meu medo, minhas vontades, minha raiva e todo meu amor bobo, não ouvi nenhuma resposta, então fiquei a fitar seu olhar devorador, dava para ouvir o tremor do meu corpo junto da batida descompassada do meu coração fraco e inútil.
- Anda, me diz o que quer de mim.? Entre gaguejos fiz a ultima pergunta, esperando por uma resposta sensata onde eu possa tomar enfim uma decisão. Ela caminhou ate a mim, com seus passos largos, me tomando em seus braços quentes onde me perdi em um mundo sem volta, nenhuma palavra foi dita naquele momento, nossos olhares se comiam junto de nossos corpos que insistiam em estarem juntos, suas mãos escorregavam pelas minhas costas deixando em cada toque a macies de sua pele, meus lábios já sabiam por onde começar a beijar junto de nossas mãos que pareciam ter vontades próprias.
Ah, me lembro como se fosse hoje, aquele dia, aquela noite, aquela sala, aquele amor, aquela mulher e o único e primeiro dia em que deixei a coragem assumir o lugar da insegurança.
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